quinta-feira, 23 de abril de 2009

Charutos (2ª Parte)


A História do Tabaco
O tabaco como conhecemos percorreu uma longa jornada, rica em fatos e curiosidades.
A lenda do tabaco está marcada do princípio ao fim pelo desvelo, a paixão e o prazer. Velha como a noite dos tempos, se entrelaça com a vida e com a morte, o mistério e a riqueza, desde suas origens.
Era totalmente desconhecido na Europa medieval, enquanto na América já era hábito entre os nativos.
Mais tarde quando do descobrimento de Cuba por Cristovão Colombo, em 1492, as duas culturas se encontraram e deste então o tabaco espalhou-se por todo o mundo.
Foi no universo indígena americano que começou sua saga, medicina milagrosa, elemento imprescindível em cerimônias religiosas e militares, alucinógeno e até complemento alimentar.
Os astecas consideravam o sumo do tabaco como antídoto insuperável contra o veneno das cobras, os maias lhe atribuíam poderes milagrosos e po isso ofereciam a seus deuses o primeiro tabaco colhido.
No Brasil, os aracujás ingeriam as folhas misturadas com outros alimentos.
Os winnebagos, aborígenes norte-americanos, o consideravam um presente dos deuses ao primeiro dos seres humanos.
E nativos do Amazonas iniciavam seus jovens no mundo adulto fazendo-os aspirar um aromático fumo.
No dia 28 de outubro de 1492, um domingo, quando o almirante Cristóvão Colombo entrou na baía de Bariay (ao norte da atual província cubana de Holguín) e desembarcou em Playa Blanca a história do tabaco começou a mudar.
Dois jovens marinheiros da esquadra, Rodrigo de Jerez e Luiz de Torres foram designados pelo almirante para dar os primeiros passos nesta nova terra em busca do grande Khan, imperador de todo extremo oriente.
Não o encontraram e na terça-feira, 6 de novembro do mesmo ano, após o regresso dos exploradores, o grande almirante escreveu em seu diário: "Encontraram os dois cristãos pelo caminho muita gente que atravessava seu povoado, mulheres e homens, com um tição entre as mãos e ervas para tomar a defumação à qual estavam acostumados".
Mais adiante, já de regresso à Espanha, Colombo e seus acompanhantes levam consigo inesquecíveis recordações, experiências extraordinárias, dentre elas o fumo do tabaco.
Buscando algumas lembranças de sua viagem, Rodrigo de Jerez estava decidido a fazer fumaça entre seus familiares e amigos.
Em sua casa, na localidade de Ayamonte Jerez se entregou por completo ao exótico prazer. Sem dúvida foi o primeiro europeu que fumou um charuto, mas a ousadia custou-lhe caro.
Ao ser surpreendido soltando fumaça pelo nariz e boca foi confundido com um possuído pelo demônio e enviado à prisão pelo Santo Ofício.
O tabaco já começava a cobrar sua quota de tragédia.
Foi a partir dos índios que a Europa tomouconhecimento dos encantos do tabaco
Enquanto isso em Cuba, os espanhóis que ali residiam começaram a cultivar tabaco em 1520, em pequena escala para consumo próprio.
A fúria contra o tabaco também se estendeu a Pérsia, Japão, Turquia e Rússia.
Ao iniciar seu reinado em 1590, o Xá persa Abbas-Sofi determinou a pena de morte para todos que utilizassem o tabaco de qualquer forma.
No Japão, em 1607, o Shogun de Tokugawa condenou os fumantes a 50 dias de prisão, além do confisco de todos seus bens.
A Turquia foi ainda mais severa pois o sultão Amurates ao iniciar seu reinado em 1622 ordenou que os fumantes tivessem as orelhas e a ponta do nariz cortados.
Na Rússia, o Czar Alexis ordenou em 1645 a deportação para Sibéria de todos fumantes, impondo castigos que iam da tortura a pena de morte.
Quanto mais aumentavam as proibições do fumo, o outro lado do tabaco era descoberto e ganhava terreno no uso medicinal.
Catarina de Médici, rainha da França (1519-1589) recebeu um presente de seu embaixador em Portugal: um punhado de folhas de tabaco.
A gentileza de Jean Nicot foi utilizada com muito prazer pela rainha francesa para combater suas freqüentes enxaquecas.
Foi Jean Nicot também que emprestou seu nome à planta de tabaco: Nicotiana tabacum.
Em 1635 uma ordem real determinava que em Paris ficava proibida a toda e qualquer pessoa a venda de tabaco exceto aos farmacêuticos.
Em 25 de outubro de 1881, em Málaga na Espanha nasceu um menino que logo foi dado como morto pela parteira.
Acompanhando a triste cena o médico Salvador Ruiz, irmão do pai do bebê que não se contendo com o fato passou a absorver bocanadas de fumaça de seu aromático charuto e lançá-las diretamente no nariz do pequeno que havia sido dado como morto. Minutos depois o bebê começou a mover seu corpinho. Havia nascido Pablo Picasso, que com o passar do tempo se tornaria um dos artistas mais famosos de todos os tempos.
Os espanhóis chamavam as margens dos rios de vegas e quando ali surgiram as primeiras plantações de tabaco estas foram chamadas de vega, denominação dada também aos vegueros, pessoas que ali trabalhavam.
De acordo com fontes históricas, em 1827 existiam 5.500 vegas, cifra que se elevou a 9.500 em 1859. Naquela época funcionavam em Havana cerca de 1.300 fábricas de charutos torcidos à mão e mais de 20 fábricas de cigarrilhas.
Em 1868, no começo da Guerra dos Dez Anos pela Independência de Cuba, teve início a imigração cubano-espanhola até os Estados Unidos, sobretudo na região de Tampa, na Flórida.
No final do século XIX a quantidade de operários cubanos produzindo charutos em Tampa era maior que em Havana e muitos deles só regressaram para a luta que resultou na liberação de Cuba do domínio espanhol.
A ordem para o levante organizado por José Martí, o apóstolo da independência cubana, foi enviada dentro de um charuto.
O conteúdo daquele charuto acendeu a revolução de 1895.
Após isso, o charuto continuou tomando parte de importantes momentos históricos, de Churchill a Kennedy, de Groucho Marx a Swarzeneger, mas isto já é uma outra história.

Fonte: http://www.charutos.com.br/artigos/art_charutos15.htm

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